A BRUXA

Sabe, tenho tido a feliz oportunidade de ler muitas preciosidades por essas paragens virtuais e gostaria de dividir com vocês esse momento de pura ternura, expresso no conto dessa escritora, que nem conheço pessoalmente, mas que sabe como tocar a alma da gente de uma forma muito especial. Foi esse conto que me inspirou para escrever o conto da Bruxinha, que também está aqui no blog. Espero que vocês gostem, tanto quanto eu! Boa viagem ao mundo da fantasia e do sonho.

Vocês podem conhecer um pouco mais do trabalho da Najah no seguinte endereço: http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=458


Beijocas, Sandra.

A Bruxa

(Najah ÐL®)

Todo mundo conhece a Bruxa. Ela mora num cantinho da floresta. Dizem que sua casa, nos dias de tempestade, costuma atrair todos os raios para si. Acho que é seu jeito de salvar as árvores para que não queimem e morram e a contrapartida da Mãe Natureza é lhe aumentar os poderes.Outro dia, ela estava apanhando algumas folhas para fazer uma infusão e encontrou uma moça desfalecida no meio do mato. Ajeitou a moça nos seus braços e começou a conversar com ela. Uma conversa estranha, de bruxa pra desmaiada:

-Vem aqui, filhinha, volta os teus olhos para o claro.As nuvens se abriram e deixaram passar um raio de sol.

– Ouve a canção, filhinha, abre teus ouvidos para as notas.Um vento brando começou um sussurro nas folhagens.

– Deixe o sangue correr nas veias, filhinha, ele está com pressa.Umas gotas de chuva começaram a cair lentamente.

– Abra a porta do seu coração, filhinha, estão batendo lá fora.

Um trovão se fez ouvir, suave, longínquo.E mais outro, mais outro, mais outro, até toda a floresta acordar.As folhas reluziram de limpas, as flores se abriram por um instante, a erva daninha se acalmou, a terra, abençoada terra, perfumou a tudo com seu cheiro de molhada, os bichinhos saíram pra brincar e o céu todo encantado, se abriu no seu azul mais lindo e deixou o sol brincar também. E ele, fez o que sabe fazer, secou as folhas, calou o vento, abrigou os animais, e acariciou o rosto da moça.

Contam que a moça saiu da floresta e encontrou os que a estavam procurando. Já estavam sem esperanças de encontrá-la; uma moça sozinha e perdida por tantos dias… Quando perguntaram se estava ferida, disse que não, que estava se sentindo muito bem. Que não se lembrava direito do que tinha acontecido, nem de como havia se perdido do seu grupo, mas parece que tinha tropeçado e depois havia adormecido e sonhado um sonho bom.

– Com o que você sonhou? –

Sonhei que estava num lugar muito quieto, de paz, sentia que flutuava, mas alguém me puxava devagarinho para baixo. Depois o lugar todo ficou mais lindo, com música, perfume, pássaros e eu me senti feliz e protegida porque estava sendo embalada com muito amor, muita ternura… e acordei quando vi que estava nos braços de minha mãe…

Najah DL
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2005

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